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Medo

Outubro 18, 2008

A dor de uma vida passada e a culpa do viver, como se tudo que existisse e acontecesse é culpa daquela jovem adolescente… A mente pensando sempre pensando, quando as vozes ao fundo perturbadoras continuam a gritar estridente por um pedido incompreensível ao ouvidos dessa garota. Por que viver nessa monotonia? Se podes mudar esse jeito mimado de ser? Pequena menina, amadureça, é o que um certo mago lhe diz… Por que não o escuta…?

Em sussurros baixos ela responde, fala com a solidão, hipnotizada pela luz reconfortante; não ouves os conselhos, por que não é o que queres e sim um abraço reconfortante de alguém que lhe saiba valorizar. Não quer mais palavras na mente, mais opiniões diferentes nem mais ninguém sabendo dessa dor que corta o coração pequeno. Batidas rápidas, a respiração se tornando ofegante, respire, respire… Ela não sabe aproveitar as coisas boas que são impostas na vida, não sabe o que é felicidade e um conforto de calor de outro alguém que espera.

A chuva caia, molhava as árvores, pingando nas folhas verdes, cheirando a solidão. Pingos frios, vento gélido de um mundo que muda a cada dia, quando não há sol, a lua não está a brilhar. O céu negro e aquelas densas gotas tocavam a janela num ruído de batidas insistentes, a esperança querendo entrar, e o medo se confortando mais nos braços dela. Tudo era silencioso, só o barulho da chuva lá fora, algumas luzes a brilhar e um coração quente dentro da casa.

Aperta os olhos com força, segurando a dor, reprimindo o medo, ninguém além dela precisava saber o que sentia, o que as outras almas humanas distantes poderiam fazer por essa garota? Palavras? Não quer mais palavras, a chuva aos poucos se acalmava, pingos, pingos, lágrimas, pingos, pingos. Doía… doía muito… Aquela culpa, do que fora capaz, até que ponto chegou, tudo que fez, todas as causas e situações, culpa dela! O semblante molhava-se, cada vez mais, orbes verdes a cintilar. Rubra, aquele sentimento que cortava, o punhal ainda no peito jovem, aquele sangue vergonhoso que pingava ao relento de um sonho real; não queria pensar, não queria mais aquelas palavras… Não agora.

O corpo estremecia, tremia, não pelo frio que passava pelas frestas da janela, não por aquela brisa que envolvia o corpo encolhido, a pele branca e rosto corado; aquele tremor, pelo medo que consumia cada dia mais, vivera uma vida temendo a tudo, todos os sentimentos, ela tem medo… Os lábios abriam-se, num grito silencioso; nada além de ar… “Aquilo” continuava a corroer-lhe, e as gotículas transparentes que pingavam á roupa quente, de nada aliviavam.

A boca formigando juntamente com a pele que tremia, aquilo que sentia, sinal que teria ainda um coração a bater dentro de si, ao saber que um anjo sente junto com ela, reconforta-se por instantes; não gostava da ironia, odiava o sarcasmo. “As lágrimas são doces” talvez por que nelas contenham a esperança que paira na mente, aquelas que não acredita-se que ainda exista, depois resta um gosto amargo, aquele gosto do sentimento que ainda continua vivo dentro dela. Não queria mais isso, numa negatividade da cabeça, balançando, mas não adiantara, o que está no coração, não se pode tirar com a consciência.

Gotas na janela, o silencio do abafado suspiro; a essência de seu viver… Para quem viver… Por que viver… Objetivos, pensamentos, tudo estava perdido? Talvez confuso, ou indefinido… Mas saber ela até onde quer chegar? Olhos tristes numa madrugada solitária, querendo estar acompanhada de alguém; alguns confortos insuficientes ao machucado aberto. Deitar e fechar os olhos, num longo suspiro único, frio e solidão com ela, não estava sozinha, tinha esses sentimentos a acompanhando. Menos confusa, menos criança, menos mimada… Menos… Lágrimas.

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Sorrir?

Outubro 13, 2008

            O medo brilhava sobre a esperança… A insegurança tomando conta, o coração se aperta, a mente ficando confusa e mais confusa. Aquelas palavras duvidosas, a dor física meramente não superava a sentimental, tudo aquilo que sentira seria parte de uma solidão que não a perturbava, mas sim, mostrava o quanto aquela pequena menina ainda era fraca e tinha que de amadurecer…

            O que o coração gritava… Os pensamentos sussurravam; os lábios entre abertos numa respiração ofegante. Trancando o ar, não querendo mostra que sofre, por que esconder essa dor? A límpida lágrima lhe dói… Não seria apenas uma gotícula que caia sobre seu semblante, não seria apenas mais uma pele molhada, mas sim, algo perturbador, em quanto esperava e queria encontrar novamente aquelas palavras que lhe faziam bem. Se reconfortava ao saber que o igual estava ali com ela, mas não ficara contente, pois o idem, estaria perfeitamente em sincronia com os batimentos dela…

            Agora derramava dor, mostrava que não estava sorrindo como naquele sol que a fez por breves momentos pensar que poderia ser feliz. Logo, a luz de sentimentos estranhos espalha-se invisivelmente sobre as orbes esverdeadas dessa garota, brilhavam, ao novamente ler aquelas tais palavras, reconfortando e ao mesmo tempo machucando-a. As horas passam a saudade não morre somente sublimemente se faz de conta que não estara mais ali.

            As sombras a acompanhavam um receio e culpa sempre a ocupar a mente, poderia mudar ela? Claro que poderia, mas não queria, tudo por que havia muito medo dessas mudanças que poderiam modificar tal futuro… Tenta sorrir, mas adormece ao calor de batidas lentas, sabia que no dia seguinte mais uma vez teria que colocar sua máscara.

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Felicidade fulgaz?

Outubro 8, 2008

Mais um dia, que estara a frente daquela tela… Mais uma vez fitando a espera de um alguém pelo qual a acalmava a alma. Mas, nuns passos rápidos, a mente se distraía, alarmada pela emoção de sair de uma rotina que a perturbava, mas ao mesmo tempo reconfortava por saber que aquilo nunca iria mudar, até quando?
P
equena menina acompanhada da felicidade, aquela que é fulgaz, que não poderia sentir pela eternidade nem ao menos poder ser assim sozinha, precisaria ela de uma companhia e de amigas para sentir-se bem, aqueles sorrisos e caretas de alegria a faziam bem; quando iria passar na cabeça por aquele momento que um diria seria triste… Todas aquelas risadas que tanto sentia-se tomar o corpo, não dando espaço a mente para produzir novos sonhos e novos desejos, esquecer, nem que seja por breves instantes, aquilo que dilacerava dia-a-dia o coração.
U
m brilho no olhar, um semblante de alegria e sorrisos sinceros, a presença de outras almas não era perturbadora, as áureas transparecendo aquilo que sentira no momento, quando por dentro das mesmas jazia uma melancolia que nunca se esquecera quando se encontrara sozinha…
J
á era tarde, o sol quase se punha, retornava aquele lugar a qual se chama de lar, aquele que deveria, sentir-se bem, mas quando na verdade, parada a frente do mesmo, fitava-o com indiferença querendo nunca precisar voltar. Por que agora ser egoísta e pensar só em si, quando aquela que dizia-se amiga, também nunca queria ir a própria casa; mas ela nunca teria parado para pensar que não queria saber disso? Já estava cansada de ouvir e saber, não precisaria que ela mais uma vez lhe repetisse tais palavras, nem por uma última vez.
M
ais uma vez, no aconchego do quarto, aquelas janelas de sempre batendo-se unicamente por um vento gélido que passava por ela, e tocava a pele delicada da garota, um breve sorriso ainda estava nos lábios rosados, observava atônita aquela luz que lhe fazia tão bem; aquele vício que nunca esqueceria, poderia até fazer de conta que não se importa, mas sempre precisou disso, sempre quis; e até hoje, sofre por ficar longe.
L
igeiramente a límpida água escorria-lhe pelo corpo, passando em diferentes pontos, o vapor ocupando aquele ambiente frio e deixando aos poucos quente. A respiração soava calma, sem barulho, os olhos brilhavam por aquela luz que aos poucos desaparecia da fresta da janela. Num ruído simples, os pingos caiam ao chão respingavam em diferentes direções. Molhava a pele simples, intocada e nova; sentia percorrer as costas, cada gota quente que relaxava aos poucos ela, fazendo esquecer-se brevemente por aquele latejar na cabeça. Num susto, a pupila dilata-se por completo, o ambiente fica escuro, rapidamente aquela água ficara fria. Num impulso o estridente grito soa pelo ar…
O
brilho da tela a deixava calma, mas o sons que ecoavam até seus ouvidos eram perturbadores, aquela dor na cabeça, latejando a cada movimento dessa pequena menina, sentia as pernas estremecerem, e uma fraqueza tomar conta do miúdo corpo. Horas se passam e ela se encontrava naquele estado, depois, deita-se, sentindo cada vez mais uma simples dor a incomodá-la.
D
e olhos abertos, observando a escuridão do lugar, uma brisa gelada passava dentre uma fresta de janela, e tocava a pele… Lembra-se dos gritos que ouvira, da dor que estava sentindo, rodopios de pensamentos na mente, respira fundo trancando o ar, o corpo tremia e não agüentava; tudo estava estranho, e parecia que não estava aonde deveria, solta um suspiro tremido, passando pelos lábios, segurando mais uma vez a respiração, contendo os soluços; sentia aquela invisível lágrima cair no rosto, derramando dor, a boca abre-se, como se gritasse mais nada saia dela, apenas sentia os músculos contrairem-se, os lábios molhados e cada vez mais aquela dor da cabeça e coração, como um punhal que fincava-se aos poucos, os sangue escorria entre ele, como se não adiantasse gritar ao silencio…
N
os estridentes gritos a solidão, na melancolia de uma dor marcante; fecha os olhos, sentindo as pernas formigarem e um leve vento tocando-a no rosto, baixos sussurros da esperança no ouvido. Adormece num suspiro calmo e aflito por carinho, sonhando o escuro, desejando o silencio de amanhã e amor de algum dia.